Há uma casa.
Não é apenas um lugar… é um corpo, uma memória, uma matéria feita de sombra.
Dentro dela, um homem procura ver. Fecha os olhos. E é então que algo começa: uma luz mínima, quase imperceptível, que hesita entre aparecer e desaparecer. Uma presença. Talvez uma mulher. Talvez apenas a forma de um desejo.
Mulher Luz nasce nesse intervalo, entre o que se vê e o que se imagina, entre o gesto e a sua falha. A partir de uma adaptação livre das obras de José Luís Peixoto, a peça constrói-se como um percurso sensorial onde a palavra se fragmenta e o corpo se torna linguagem. Marionetas, vídeo e matéria convocam um espaço instável, onde as figuras surgem e se desfazem, como se nunca chegassem verdadeiramente a existir.
A casa transforma-se. A escuridão ganha espessura. O mundo infiltra-se, por vezes violento, por vezes absurdo e atravessa os corpos… deixando marcas, ausências, vazios. No centro,
a tentativa persistente de tocar o que escapa.
Mas há encontros que não se cumprem.
Há presenças que só existem enquanto são procuradas.
Mulher Luz é uma peça sobre essa insistência: a de dar forma ao invisível, a de habitar o que falta, a de permanecer mesmo quando a luz já não responde.
No fim, talvez reste apenas a casa.
Ou aquilo que, dentro dela, continua a procurar.
