
JUNHO 2026

Jardineiro Imaginário
m/12
5 junho – 21h30
Carvoaria
Rua Pelágio Peres, n.º 17, 7050-125
Montemor-o-Novo
Inserido no XVIII Encontro Internacional de Marionetas de Montemor-o-Novo
Jardineiro Imaginário é uma criação das Marionetas do Porto, dedicada aos adultos numa tentativa de os transportar a territórios diversos onde possam ecoar inquietações, pensamentos, matérias soltas, pedaços de vida, numa espécie de coroa circular.
Dois atores, num encontro entre marionetas, objetos, palavras, movimentos, pequenas partículas inomináveis, luz, música e tantos outros elementos, provocando composições e viagens imagéticas.
Cria-se um lugar não linear, descolado do mundo. Desconcertante, delirante, sem leis conhecidas. Uma espécie de pintura viva.
Partindo do universo literário, nomeadamente de alguns poemas de Sonhador Definitivo E Perpétua Insónia, antologia de poemas surrealistas escritos em língua francesa, traduzidos por Regina Guimarães e de muita experimentação ligada aos materiais, descola-se para o sonho, em voo, percorrendo subterraneamente um universo que escapa à realidade.
Em Jardineiro Imaginário, há um regresso a esse continente da imaginação, na criação de imagens que brotam de forma automática transportando cada corpo para um outro lugar. O teatro interior e íntimo, persistente e sem fim, habitado por um jardineiro imaginário, criado com a cumplicidade artística de uma equipa multidisciplinar.
Isabel Barros
“Cara imaginação, aquilo de que mais gosto de ti é que não perdoas”
André Breton
Estreia absoluta!!

Mulher Luz
M/16
(a partir de Uma Casa na Escuridão e A Casa, A Escuridão, de José Luís Peixoto)
20 junho – 21h30
21 junho – 16h00
Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery
Av. Serpa Pinto 222, Matosinhos
Há uma casa.
Não é apenas um lugar… é um corpo, uma memória, uma matéria feita de sombra.
Dentro dela, um homem procura ver. Fecha os olhos. E é então que algo começa: uma luz mínima, quase impercetível, que hesita entre aparecer e desaparecer. Uma presença. Talvez uma mulher. Talvez apenas a forma de um desejo.
Mulher Luz nasce nesse intervalo, entre o que se vê e o que se imagina, entre o gesto e a sua falha. A partir de uma adaptação livre das obras de José Luís Peixoto, a peça constrói-se como um percurso sensorial onde a palavra se fragmenta e o corpo se torna linguagem. Marionetas, vídeo e matéria convocam um espaço instável, onde as figuras surgem e se desfazem, como se nunca chegassem verdadeiramente a existir.
A casa transforma-se. A escuridão ganha espessura. O mundo infiltra-se, por vezes violento, por vezes absurdo e atravessa os corpos… deixando marcas, ausências, vazios. No centro, a tentativa persistente de tocar o que escapa.
Mas há encontros que não se cumprem.
Há presenças que só existem enquanto são procuradas.
Mulher Luz é uma peça sobre essa insistência: a de dar forma ao invisível, a de habitar o que falta, a de permanecer mesmo quando a luz já não responde.
No fim, talvez reste apenas a casa.
Ou aquilo que, dentro dela, continua a procurar.
Ficha Artística
Conceção e Encenação – Paulo Duarte (a partir de Uma Casa na Escuridão e
A Casa, A Escuridão, de José Luís Peixoto)
Construção Cenografia e Marionetas – Filipe Azevedo, João Pedro Trindade
Desenho de luz – Filipe Azevedo
Universo Sonoro original – Morgan Daguenet
Figurinos – Letícia dos Santos
Direcção técnica e operação de luz, som e vídeo – Filipe Azevedo
Intérpretes criativos – Micaela Soares, Vítor Gomes, Filipe Azevedo
Produção – Sofia Carvalho
Fotografia de cena – Susana Neves
Coprodução Teatro de Marionetas do Porto | Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery
Espetáculo para maiores de 16 anos (em apreciação)


Universo Onírico
3 a 28 de junho**
Quarta a sexta
14h – 18h*
Sábado e domingo
11h – 13h* + 14h – 18h*
*última admissão 30 minutos antes do fecho
** Fechado no dia 24 de junho
Rua de Belomonte, 61 – Porto
Da exposição O Universo Onírico das Marionetas do Porto fazem parte obras emblemáticas da companhia que se relacionam com a temática do sonho e ambientes etéreos (Wonderland, Nada ou Silêncio de Beckett, Cabaret Molotov, Cinderela, A Cor do Céu e Joanica Puff).
Miséria e Teatro Dom Roberto mantém-se como documento histórico do Museu das Marionetas do Porto e acrescentamos à lista uma mega ilustração de Júlio Vanzeler que une dezenas de personagens criadas por si.
No espaço de experimentação, concebido como um miniteatro, poderá ser um verdadeiro marionetista, encenador e ainda técnico de luz, som e vídeo.
A exposição permite uma fruição diversa, capaz de transportar o visitante para outro lugar, através das peças expostas, dos adereços, das histórias e de todas as atividades propostas num programa dirigido a todo o público.
Na sala dedicada às exposições temporárias recebemos, duas vezes por ano, companhias de marionetas e formas animadas do nosso país.
Este é um museu de autor, centrado na obra de João Paulo Seara Cardoso (1956-2010), fundador do Teatro de Marionetas do Porto, situado numa rua estreita, em pleno centro histórico. Atravessar a porta do Museu, tem sido, para muitos visitantes, um encontro com a utopia. Assim desejamos que continue através da exposição patente.

OS CLÁSSICOS D’A TARUMBA: MAHAGONNY – AQUI TUDO É PERMITIDO
A TARUMBA – TEATRO DE MARIONETAS
Exposiçãotemporária até 27 de setembro
Museu das Marionetas do Porto
Há demasiadas almas de madeira para que não se amem as personagens de madeira que têm uma alma. – Jean Cocteau Tarumba significa atarantar, estontear, atordoar, maravilhar… palavras que exprimem o sentimento geral da companhia em relação às artes da marioneta.
A Tarumba foi criada em 1993 e está sediada em Lisboa. Iniciou o seu percurso com a adaptação de clássicos com marionetas de fios dirigidos maioritariamente ao público adulto. Foram encenadas peças de autores como Christopher Marlowe, William Shakespeare ou Federico García Lorca, entre outros.
Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny estreou a 20 de novembro de 1998, no Teatro Taborda. Pela primeira vez foi apresentada em Portugal a adaptação de uma obra de Bertolt Brecht para marionetas. A tradicional cenografia foi substituída por imagens digitais e vídeo, de Gonçalo Luz, produzindo um excesso de sentidos e uma amplitude espacial inovadora no teatro de marionetas. Foi recriado o ambiente de uma cidade perdida, uma utopia dos anos da procura do ouro e dos sonhos, com marionetas de madeira articuladas por fios, com cerca de 3 metros de comprimento, construídas por Luís Vieira e com figurinos de Rute Ribeiro, que interpretavam o estado psicológico das personagens de Brecht: Jimmy Mahoney, Leocadia Begbick, Jenny Smith, Fatty, Trinity Moses, Bill, Joe e Jake Schmidt.
A companhia realizou os ensaios e um workshop no Estabelecimento Prisional das Mónicas, em colaboração com a Direção-Geral dos Serviços Prisionais, de onde resultou a participação de três reclusos no espetáculo.
Mahagonny foi a última peça d’A Tarumba com ponte de manipulação, marionetas de fios e marionetistas ocultos. Apenas as marionetas – que pareciam enormes aos olhos do público – e o espaço cénico eram visíveis, criando uma ilusão mágica. Marca uma viagem criativa que começou pelos fios, mas que rapidamente se expandiu para outras formas de pensar e trabalhar a marioneta contemporânea, sem medo de arriscar e de partilhar.