WONDERLAND

PT
Wonderland é o sonho de Alice sonhado por nós. Vamos com ela, atravessamos a floresta luminosa cheia de medos e segredos, inventamos caminhos que antes lá não existiam e deixamos Alice perdida. Quando Alice pergunta ao Gato: “Como posso sair daqui?”, o Gato responde: “Isso depende muito do sítio para onde queres ir”. Aí sentimos que o sonho inventado por Carroll para a sua Alice amada toca ao de leve a nossa realidade. E quando Alice, no seu percurso iniciático, alcança o jardim maravilhoso de rosas brancas da rainha nós estalamos os dedos para que o seu sonho (e o nosso) acabe no momento certo. Final feliz?

Marco este dia com uma pedra branca (do diário de Lewis Carroll)


EN
WONDERLAND is Alice’s dream dreamt by us. We go along with her, walking through the bright forest, full of fears and secrets, we invent paths that were not there before and we leave Alice lost. When Alice asks the cat: “Which way I ought to go from here?” the Cat answers: “That depends a good deal on where you want to get to”.
We feel then that the dream made up by Carroll for his beloved Alice slightly touches our reality. And when Alice, in her initiation path, reaches the Queen´s wonderful white roses garden, we snap our fingers so that her dream (and ours) ends at the right moment. Happy ending?

I mark this day with a white stone (from Lewis Carroll´s diary)

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Wonderland
Encenação e cenografia
João Paulo Seara Cardoso

Interpretação
Micaela Soares
Rui Queiroz de Matos
Shirley Resende
Vitor Gomes

Marionetas
Júlio Vanzeler

Música
Roberto Neulichedl

Letras de canções
Maria de Noronha

Tradução para inglês
John Havelda

Figurinos
Pedro Ribeiro

Coordenação de movimento
Isabel Barros

Desenho de luz
António Real e Margarida Alves

Produção
Sofia Carvalho

Assistente de produção
Pedro Miguel Castro

Assistente de encenação
Pedro Ribeiro

Operação de luz e som
Margarida Alves

Operação de legendagem
Pedro Castro

Oficina de construção
Rui Pedro Rodrigues (coordenação)
Inês Coutinho (pintura)
Nuno Valdemar Guedes

Confeção de figurinos
Cláudia Ribeiro (coordenação)
Celeste Marinho (mestra-costureira)
Esperança Sousa (costureira)
Catarina Barros (coordenação de adereços)
Patrícia Mota (assistente de adereços)

Construção cenográfica
Américo Castanheira/Tudo-Faço

Fotografia de cena
Susana Neves

Ilustração
Júlio Vanzeler

Imagens projetadas
Fotografias de Alice Liddell por Lewis Carroll
Pinturas de Claude Monet (alteradas)

Estagiária
Ângela Ribeiro

Palco
Ideal: 12m – boca de cena / 10m – profundidade / 6m – altura min.
Mín. 10m – boca de cena / 8m – profundidade.
Cena negra – Caixa de palco com panejamento total + duas pernas para contra regra,
(ver planta cenográfica)
Chão negro (linóleo ou madeira)
1 meio fundo negro 2m x 2m (Mat. da companhia)

Luz
Dimmers digitais – 96 circuitos – Prot. Com. DMX512
Mesa de luz ETC Express 24/48 ( Mat. da companhia )
Varas de luz (ver planta em anexo)

Estruturas
2 torres laterais com 2m de altura
1 base de chão

Projetores
(Ver planta de luz)
16 PC 1000W com palas
4 sourcefor PAR (2 NSP/2MFL)
Ou 4 PAR64 (CP60 e CP61)
6 recortes 1000W 12º/28º
25 recortes 1000W 25º/50º

2 Mini Par c/ palas e porta-filtros ( Mat. da companhia )
1 Proj. recorte Selecon Pacific 90º (Mat. da companhia)
1 Quadrado Ledneon 5m x 5m + alimentação 24 V + Microrack ADB (Mat. da companhia)
Necessário no palco – tomada 220V/
Tomada 16A trifásica + ligação DMX (ligação rack 2º univ)
Filtros (Mat. da companhia)

Som
Sistema de amplificação stereo com reforço central para voz
2 monitores colocados no palco
1 Mesa de mistura digital Yamaha 01V ( Mat. da companhia )
5 Microfone emissores lapela
1 Workstation Roland Juno-G (Mat. da companhia)
2 DI

Vídeo
Ecran plasma Phillips 42” (Mat. da companhia)
Computador portátil LG (Mat. da companhia)
Ligação palco/régie por cabo S-vídeo (Mat. da companhia) ou usando cablagem interna da sala, se compatível.

Bastidores
4 Camarins individuais ou 1 coletivo

Montagem
12 horas

Staff necessário
2 carregadores para descarga e carga
2 Técnicos de luz
Técnico de som
Técnico de vídeo
Técnico de palco

Plano de Trabalho

1º Turno – 4 horas
Montagem:
Cenografia; Cena negra; Luz; Som

2º Turno – 4 horas
Afinação:
Cena negra; Luz; Som

3º Turno – 4 horas
Ensaio Geral:
Luz; Som

Notas: Para iniciar a montagem o palco e a teia devem estar limpos e sem quaisquer equipamentos.
É utilizado fumo branco.
Existe um tanque com 80l de água na frente da cena

Desmontagem e carga: 2 horas

Duração do espetáculo: 60 minutos

Classificação etária: maiores de 12 anos

Menções obrigatórias em todo o material promocional do espetáculo:
Companhia subsidiada por SEC/DGArtes (com inserção de logotipos)
Coprodução Teatro de Marionetas do Porto e Cine-Teatro Constantino Nery

Marionetas sem fios e com esqueleto à vista

Nova produção do Teatro de Marionetas do Porto já mexe. Na oficina da Rua de Belmonte, artistas partilham trabalho que começa quatro meses antes da estreia, marcada para maio. “Wonderland” é peça para adultos

A nova produção do Teatro de Marionetas do Porto já mexe. Com estreia marcada para 8 de maio, em Matosinhos, “Wonderland” vai ganhando forma em dois sentidos: a par do trabalho que envolve os atores, há uma série de seres em construção na oficina da Rua de Belmonte. Ali nascem as personagens de mais um espetáculo baseado na obra de Lewis Carroll, desta vez dirigido ao público adulto. O JN deu uma espreitadela.
É a partir do barro que Júlio Vanzeler modela as cabeças. A da Alice está mais adiantada, já passou à fase da fibra de vidro, mas a da lagarta ainda nem chegou ao molde. Das mãos do ilustrador, que há mais de dez anos colabora com a companhia (começou, precisamente, com a peça “Alice no país das maravilhas”, então em formato de teatro de sombras), saem os desenhos prévios e os modelos das caras das personagens. Geralmente, também desenha os figurinos, mas não neste caso.
Os trabalhos começam sensivelmente quatro meses antes da estreia. Depois da modelação fazem-se os moldes de que hão de sair as caras definitivas e, a seguir, constroem-se as marionetas, que, por fim, são pintadas. É nestas três fases que entram Rui Rodrigues e Inês Coutinho, também colaboradores habituais do Teatro de Marionetas do Porto.
Rui é o técnico de realização plástica a quem cabe construir os esqueletos que vão completar as personagens. “Não há uma única marioneta de fios neste teatro”, refere o artista, que desta vez optou pelo PVC (ver caixa) em detrimento da madeira. Ao lado, Júlio explica que “a construção das marionetas depende sempre das necessidades do encenador e dos atores”, pois são eles que vão fazer os bonecos mexer em palco. No caso da lagarta nem haverá esqueleto – os braços do intérprete farão as vezes do corpo anelado da personagem.
Júlio Vanzeler destaca ainda o facto de este ser “um trabalho em que todas as áreas estão muito próximas”, incluindo a da costura, no fim da linha de produção. O ilustrador dá um exemplo dessa cumplicidade: “Quando estou a moldar uma cabeça, vou ao ensaio ver como o papel está a ser interpretado, para que haja coerência entre a personagem que o ator está a representar e a que estou a desenvolver”.

Feições humanas

“Wonderland” terá um total de “20 coisas manipuláveis”, segundo o encenador, João Paulo Seara Cardoso. Entre esses objetos cénicos, destacam-se o chapeleiro, cujo rosto será o do ator que manipula a marioneta, e, ainda, os animais com feições humanas. O também diretor da companhia explica que isso se deve ao facto de a história de “Alice no pais das maravilhas” ser “um monumento ao nonsense, havendo que encontrar um equivalente a esse lado surreal e absurdo”.
Depois da primeira versão baseada nos livros de Carroll, agora surge uma peça para gente grande, que estará em cena no Teatro Constantino Nery. “Aqui, há uma visão muito onírica da Alice, em que o texto é um pretexto para a criação de imagens”, acrescenta Seara Cardoso, que prefere sempre “marionetas assumidamente artificiais, no sentido de se sentir o artifício técnico do objeto”.
Exemplo disso é a intenção de deixar visíveis partes dos esqueletos feitos por Rui Rodrigues, cujo trabalho é tão pormenorizado que chega a contemplar “travões” nas articulações, para que braços e pernas de PVC se mexam como braços e pernas de carne e osso. •

Esculturas de Theo Jansen inspiram recurso ao PVC

As gigantescas “criaturas” concebidas pelo escultor cinético holandês Theo Jansen foram a fonte de inspiração de Rui Rodrigues para esta nova produção. Pela primeira vez, o Teatro de Marionetas do Porto recorre ao PVC dos tubos das instalações elétricas para construir os esqueletos, que assim se tornam mais ligeiros e fáceis de manipular. “Tipicamente, fazemos tudo com madeira”, refere o artista, que explica a mudança de material com o facto de haver personagens que são quase do tamanho das pessoas. Por isso, era necessário que fossem mais leves.

Isabel Peixoto
in JN, 9 de março de 2009


Esta Alice só se vê com os olhos fechados

Wonderland, a nova criação do Teatro de Marionetas do Porto, é mais uma descida aos infernos da Alice no País das Maravilhas, mas agora para adultos. Continuamos a ter alucinações, com este texto de Lewis Carroll

Lewis Carroll foi com Alice ao país das maravilhas e ao outro lado do espelho e viu centenas de coisas, nesses sítios onde para ver coisas é preciso ter os olhos fechados – mas não viu nada (nenhuma Rainha de Copas, nenhum coelho com pressa, nenhum chapeleiro louco) que chegasse aos pés dessa miúda “moving under skies never seen by waking eyes” que continuava a assombrá-lo meses depois dessa viagem fundadora para o inconsciente coletivo ocidental. Em 1997, o Teatro de Marionetas do Porto (TMP) também foi com ela por aí fora, de olhos fechados. Passaram-se 12 anos e João Paulo Seara Cardoso, o diretor da companhia, também continua assombrado por essa presença: Wonderland é o TMP a ir ter com ela outra vez, nos subterrâneos que tinham ficado por escavar.
Ao contrário de Alice no País das Maravilhas (a peça de 1997), Wonderland, que o TMP estreia esta noite em Matosinhos, no Cine-Teatro Constantino Nery, é um espetáculo para adultos. “Quando fizemos a Alice para crianças, há 12 anos, percebi que essa era uma leitura muito superficial e que a Alice tem muitos subterrâneos para escavar, muitos labirintos onde nos podíamos voltar a perder. Também comecei a ler as interpretações que os psicanalistas fizeram do texto, as teses do Artaud, e achei, como diz a Virgina Woolf, que a Alice mais interessante é a que transforma adultos em crianças”, explica Seara Cardoso.
Vamos lá, então, descer aos infernos deste texto e lê-lo com olhos de adulto que ainda tem medo do escuro. Wonderland não é exatamente um espetáculo: é uma alucinação, um estado estranho, alterado, em que nos cruzamos com seres “never seen by waking eyes” que, mesmo quando nos parecem familiares, não são exatamente aquilo que nos lembrávamos de ter visto há muitos anos, num filme da Disney. “Resolvi usar a nossa memória iconográfica da Alice para começar e acabar de contar a história, mas a partir do momento em que mergulhamos nas profundezas a Alice passa a ser nossa e a ir pelos caminhos que nós queremos que ela siga”, continua o encenador.
A Alice deles é isto: uma miúda morena, de cabelos pretos a dar pelo queixo e uns olhos gigantes, abertos mas para dentro, a engolir um sítio que ela não sabe onde fica e onde há flamingos, serviços de chá, cartas acabadas de chegar à caixa do correio, partidas de croquete e relógios parados no recreio da escola. Parece uma coisa de crianças, mas às tantas estamos no Inferno (há uma serpente, uma garrafa que diz “bebe-me” e uma Rainha de Copas especialmente carnívora), e este Inferno é um ambiente um bocado lynchiano. “Pensei muito na leitura sexual que a psicanálise faz disto e não me interessou muito ir por aí – mas interessou-me usar a Rainha de Copas como encarnação do próprio Lewis Carroll. É um homem particular – um professor de Matemática respeitado em Oxford, que vai ser padre, mas que depois faz declarações estranhas e diz que as raparigas a partir dos 12 anos já não lhe interessam. Há ali um sentimento de culpa, de pecado, e isso está no espetáculo”, sublinha Seara Cardoso.
Precisamos é de ter os olhos fechados para o ver melhor: Wonderland é um país profundamente visual mas também profundamente sonoro em que nunca ninguém parece falar a nossa língua – e onde, no entanto, nunca chegamos realmente a sair de casa.

Inês Nadais
in Público, 8 de maio de 2009


CAIR NAS PROFUNDEZAS

Acordar num mundo de pernas para o ar

O universo fantástico de Lewis Carroll é novamente abordado pelo Teatro de Marionetas do Porto nesta produção, mas desta vez com um espetáculo para adultos. «Na produção para crianças havia uma leitura superficial do livro, Alice tem muitas camadas para escavar», diz o encenador João Paulo Seara Cardoso. Nomeadamente, a questão do pecado e dos sentimentos de culpa que assaltam o diácono anglicano Charles Dogson, conhecido como Lewis Carroll. As personagens de Alice no País das Maravilhas remetem o jogo da linguagem para segundo plano e mergulham numa dimensão onírica. Apenas Alice fala em português, reforçando a sua estranheza perante a Rainha de Copas, o Coelho Branco, o Gato Risonho e outras figuras bizarras, que mantêm o inglês original. «Por uma questão de musicalidade e também para despertar o retrocesso no tempo e remeter o público para um ambiente de sonho.» O lado profundo e absurdo da obra é explorado de forma mais visual, à maneira da companhia.

Joana Loureiro
in Sete, 14 de maio de 2009


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