NADA OU O SILÊNCIO DE BECKETT

Nada ou o Silêncio de Beckett é um espetáculo construído a partir de impressões do universo de Samuel Beckett.

Nada ou o Silêncio de Beckett nasce de uma forte contaminação dos criadores e atores pelas paisagens e personagens do mundo becketiano.

Nada ou o Silêncio de Beckett é como sonho difuso e amarelado no qual vagueamos com os Winnies, Didis, Gogos e toda essa galeria de homens e mulheres impregnados de um estranho silêncio vazio, sempre tocando ao de leve na obscuridade para nos fazer sentir, afinal, poeticamente a possibilidade de um mundo mais luminoso.

João Paulo Seara Cardoso

  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett
  • Nada ou o Silêncio de Beckett

Nada ou Silêncio de Beckett
encenação e cenografia
João Paulo Seara Cardoso

marionetas e figurinos
Júlio Vanzeler

música
Roberto Neulichedl

desenho de luz
António Real

produção
Mário Moutinho

interpretação
Edgard Fernandes, Rui Queiroz de Matos, Sara Henriques

pintura de marionetas
Emília Sousa

operação de som e luz
Rui Pedro Rodrigues

assistente de produção
Paula Anabela Silva

secretária de produção
Sofia Carvalho

direcção de montagem
Igor Gandra

técnicos de construção
Abílio Silva, Filipe Garcia, Vítor Silva

confeção de figurinos
Branca Elíseo

colaboração
Patrícia Falcão, Isabel Leite da Silva

fotografia de cena
Henrique Delgado

ilustração
Júlio Vanzeler

sspetáculo subsidiado por
Ministério da Cultura, Câmara Municipal do Porto, Fundação Calouste Gulbenkian

apoio à divulgação
Jornal de Notícias, Público, TSF, RFM, Rádio Nova Era, AMC

espaço cénico
Dimensões
boca de cena: 8 m; profundidade: 6 m; altura: 4 m

Panejamento negro em todo o envolvimento do palco
Obscuridade total

luz
A iluminação é constituída por 21 micro-projetores 75W/12V, com transformador, 3 iodines 500W/220V e 6 PC’s 650W/220V (equipamento da companhia)

Necessário no local
mesa de luz programável; 24 canais de Rack

som
Amplificação
Mesa de mistura
CD
Mini-disk

montagem
7 horas

desmontagem
2 horas

staff necessário
Técnico de som
Técnico de luz
Técnicos de palco

número de atores: 3

número de técnicos: 2

duração do espetáculo: 1h00

classificação etária: Maiores de 12 anos

menções obrigatórias em todo o material promocional do espetáculo:
Estrutura financiada por SEC/DGArtes (com inserção de logótipos)

XXIV Festival de Teatro de Almada

O universo de Beckett em marionetas

Escuro. Um piano sinistro que toca. Ele, o boneco, atravessa a boca de cena carregando o cesto às costas com esforço. A moldura da cabeça dela iluminada mostra-nos, através de versos, que nada existe além da rotina. Bonecos que se movimentam como atores num Ato sem palavras [1] . Três atores de chapéu e casaco e gestos nervosos. A campainha que quebra o silêncio. O boneco que se queixa, quer chegar e não consegue… ouve o apito, sente a espera. O tic-tac que faz a cabeça andar à roda e põe a barriga a dar horas! Espera-se o nada. Ele atravessa, o boneco, atravessa a boca de cena carregando o cesto às costas com esforço. O ator. O corpo. A máscara. O ator que tem corpo e é boneco. A máscara que é o rosto que esconde e levita. Uma árvore que tem vida. Um Didi que chama um Gogo [2] que lhe responde. Uma Winnie que chama um Willie [3] que é boneco. Outros versos, um fim, o mesmo nada. E o boneco atua sem palavras [4]. Uma lanterna e tanta angústia! Um lutar consigo mesmo. Um respirar ofegante sem pés nem cabeças nem mãos que nascem do chão, como as árvores. Água. Campainha. O boneco atravessa a boca de cena de bicicleta. Nada. Silêncio. O silêncio dele. O nosso nada. Escuro.

Tendo sido galardoado com uma réplica em miniatura da escultura que se encontra à entrada no novo Teatro Municipal de Almada (uma novidade deste ano), este foi o Espetáculo de Honra da edição de 2007 do Festival de Teatro de Almada.

No que se apresenta como um cruzamento de diferentes linguagens artísticas (música, teatro, dança, teatro de marionetas…), vemos uma série de quadros que se vão sucedendo «como um sonho difuso», remetendo-nos imediatamente para a forma algo fragmentária e desconstruída de apresentar a realidade a que Beckett nos habituou. Nada ou o silêncio de Beckett é um espetáculo construído a partir do universo beckettiano, uma espécie de rapsódia dos seus textos onde vemos desfilar um leque de personagens que conseguimos reconhecer e que nos falam com poucas palavras da possibilidade de uma existência (mais) brilhante num mundo de nadas e silêncios.

A sincronia é, neste espetáculo, uma palavra-chave. Os atores/manipuladores têm movimentos estilizados, não naturalistas (quase clownescos), bem sincronizados, e é de salientar a agilidade da alternância e das variações rítmicas nas coreografias tanto destes como dos bonecos a que dão vida. A expressividade vocal dos atores é complementada com a utilização inteligente de recursos sonoros. A música assume também uma importância fundamental acompanhando e sublinhando a movimentação dos bonecos e contribuindo de forma decisiva para lhes conferir uma maior expressividade. O registo cómico é alternado com um tom lírico que confere ao espetáculo uma estranheza poética.

Ana Margarida Pereira
in “Le Monde Diplomatique”, 10 de julho de 2007


O silêncio de Beckett e o barulho das marionetas

Um mergulho no escuro que é uma das experiências mais fulgurantes do Teatro da Marionetas do Porto

João Paulo Seara Cardoso já tinha frequentado sítios estranhos (estranhos para pessoas tão estranhas ao serviço dos grandes textos da dramaturgia universal como uma companhia de teatro de marionetas) mas nunca tinha frequentado um sítio tão estranho como Samuel Beckett quando, em 1999, montou uma peça feita não com, mas a partir de, textos do dramaturgo irlandês. Os textos não estavam disponíveis, mas esse descomunal património metafórico que é a obra de Beckett (essas mulheres enterradas na areia, esses homens com chapéu de coco, essas bocas falantes, essas personagens paradas na vida à espera de Godot) estava e João Paulo Seara Cardoso fez uma peça com isso. Chamava-se Nada ou o Silêncio de Beckett e de facto ninguém falava mas mesmo assim, calado, Beckett não estava irreconhecível.

Oito anos depois, esse mergulho no escuro continua a ser uma das experiências mais fulgurantes do Teatro de Marionetas do Porto – fulgurante enquanto processo de construção de um espetáculo a partir de impressões de um universo profundamente iconográfico (anos depois eles tentariam outra coisa comparável, com René Magritte) e fulgurante enquanto processo de negociação semiótica com os espectadores. Também por isso, Nada ou o Silêncio de Beckett continua em cena, às vezes sucessivamente: esteve há um ano (no ano do centenário do dramaturgo, portanto) no Festival de Almada e regressa amanhã como espetáculo de honra desta edição.

Cabaret Molotov, o espetáculo de 2006 que o Teatro de Marionetas do Porto traz ao festival um dia depois, é o outro lado do espelho do trabalho da companhia: uma criação original de João Paulo Seara Cardoso, e já não um mergulho na grande dramaturgia universal, que retoma a preferência do grupo por marionetas não convencionais. Cabaret Molotov está, de resto, mais próximo de outras linguagens – o circo, o cabaré, o cinema- do que do teatro. “O universo teatral do Teatro de Marionetas do Porto aproxima-se muito desta fantasia surreal que existe no cabaré e no circo. E este é de facto um cabaré melancólico porque tem muito de memórias antigas – cinematográficas até, via Bergman e Fellini – e também daquilo que imaginamos que seriam os cabarés de Berlim no tempo do Kurt Weill e do Brecht”, explicou o encenador ao Público em novembro, dias antes da estreia do espetáculo.

Inês Nadais
in “Público-Ípsilon”, 6 de julho de 2007


Marionetas levam Samuel Beckett à Casa das Artes

Mergulhar no mundo de beckett, em busca das paisagens e personagens, foi o desafio que o Teatro de Marionetas do Porto se propôs enfrentar. Da experiência resultaram sobretudo impressões, de imediato convocadas como matéria-prima para a construção de Nada ou o Silêncio de Beckett, espetáculo que o grupo apresenta, desde ontem e até ao dia 30, na Casa das Artes.

Lucky, personagem de Á espera de Godot, caminha sobre uma superfície inspirada na ideia de deserto, carregando a bagagem do patrão. A impressão de esforço, o minimalismo do andar e a sensação de ausência concorrem para tomar este quadro inicial como uma metáfora beckettiana da vida, tanto mais que o último passo – a morte – é ocultado do espectador pelo apagar da luz.

O simbolismo habita, de resto, todos os lugares que a peça percorre. O silêncio, o nada, a alienação, o mistério da identidade e outros temas característicos do universo de Beckett são evocados por imagens cujo o poder encantatório transcende em muito – quando não dispensa – a mais óbvia descodificação. Cada espectador estabelece uma relação particular com o que observa. Como afirma Peter Brooks num texto introdutório: “O público de Beckett (…) é aquele que não ergue barreiras intelectuais, que não tenta a todo o custo analisar a mensagem”.

João Paulo Seara Cardoso, encenador e cenógrafo, quis retirar “a austeridade que habitualmente se transporta para a cena” nas peças de Beckett. Se a isso obdeceu a montagem do espetáculo, “unido pela ideia de ausência” e habituado por personagens que “comungam de uma qualquer impossibilidade”, já ao compositor italiano Roberto neulichedl foi pedido “que transforma o silêncio em música”. As marionetas de Júlio Vanzeler são manipuladas pelos atores Rui Oliveira, Sérgio Rolo e Marta Nunes.

Marcos Cruz
in “Diário de Notícias”, 18 junho 1999


Nada ou o Silêncio de Beckett

O teatro de Marionetas do Porto completa dez anos de trabalho exigente e inovador, que o tornou conhecido nacional e internacionalmente.

Entre um famoso espetáculo de revista (“Vai no Batalha”), até à mais recente estreia (“Nada ou o Silêncio de Beckett”), tudo parece ter mudado. Tudo menos a criatividade do encenador e a mestria dos atores-manipuladores.

Entre o humor ligeiro e o humor absurdo, entre a farsa brejeira e a dramaturgia revolucionária de Beckett, o percurso parece ter sido fácil: olhando melhor, pressente-se a exigência e a inovação de quem, encenando Beckett, acaba por subvertê-lo, numa versão radicalmente lúdica.

A árvore, por exemplo. A árvore, primeiro sem folhas que, com o tempo, as recupera. É um elemento fundamental de “Á especra de Godot”, relacionado com o tempo que passa sem passar.

Mas o encenador multiplica neste espetáculo de folhas novas e das novas especranças trazidas pelas chuvas abundantes.

“Variações sobre o tema da árvore seca que se tornou verdejante, sem deixar de ser absurda”, podia ser o subtítulo do espetáculo. Beckett está reconhecível no tempo que é impiedosamente medido pelos metrónomos, relógios, apitos, campainhas da banda sonora. Mas onde começa e acaba Beckett na “performance” dos três homens metidos em camisas de forças que se atropelam uns aos outros, numa competição desenfreada? Pessoalíssima é a versão da marioneta que tenta apoderar-se da garrafa suspensa, utilizando as caixas sobrepostas. Até que o manipulador pendura o próprio boneco no teto, forçando-o a aceitar para sempre a sua condição absurda. De rastos ou em voo, enterrados até ao pescoço ou carregando fardos impossíveis, os seres humanos não têm saída. Se houver alguma, será a do humor negro. O mais polémico de tudo é a escassez da palavra. Mas poderá sempre dizer-se que ela não faz falta nenhuma ao ser humano. Com a palavra ou sem palavra, a condição humana não muda muito. O resto é nada. Nada, noite após noite, às cegas na escuridão, à procura do sítio por onde sair. Nada a não ser gritos, os mesmos de sempre. Nada.

Manuel João Gomes
in “Público”, 25 junho 1999


Nada ou o Silêncio de Beckett

Teatro de Marionetas do Porto has completed ten years of hard and innovative work which made the company known, both nationally and internationally.

From a famous revue (Vai no Batalha) to the latest première (Nada ou o Silêncio de Beckett) everything seems to have changed. Everything but the creativity of the director and the skills of the actors-manipulators.

Between the light humour and the absurd humour, between the malicious farce and the revolutionary dramaturgy of Beckett, the way seems to be easy; taking a better look, we sense the demand and the innovation of someone who, staging Beckett’s work, ends up subverting it, in a radically entertaining version. The tree, for example.

The tree, first leafless, recovers the leaves as time goes by. It’s a fundamental element of “Waiting for Godot”, connected with time that passes without passing.

But in this performance the director multiplies the intensely green trees, full of new leaves and of new hopes brought by the abundant rains. “Variations on the theme of the dry tree which turned green, remaining absurd”, could be the subtitle of the performance. We recognize Beckett in the time mercilessly measured by the metronomes, clocks, whistles and bells of the sound effects. But where does Beckett’s influence begin and where does it end in the performance of the three men in straitjackets, who run over each other in an unrestrained competition? The version of the marionette who tries to reach and grab the suspended bottle using the overlapped boxes is unique. Eventually the manipulator hangs the marionette on the ceiling, forcing it to accept its absurd condition forever. Crawling or flying, burried to the neck or carrying impossible burdens, there are no ways out for human beings. If there is any, it’s dark humour. The most polemic thing of all are the scarcity of words. But one can always say that human beings don’t need words at all. With or without words, the human condition doesn’t change much. The rest is nothingness. Nothingness, night after night, blind in the darkness, looking for the place through which to get out. Nothingness except for the screams, the same as always. Nothingness.

Manuel João Gomes
in “Público”, 25 junho 1999


(…)
Continuamos no Porto e aí descobrimos aquilo que podemos considerar um espetáculo notável, provavelmente dos melhores espetáculos do grupo dirigidos por João Paulo Seara Cardoso, Teatro de Marionetas do Porto.

Trata-se de um trabalho sobre o universo beckettiano com o título Nada ou o Silêncio de Beckett.

Graças ao trabalho dos atores como tal e como manipuladores das marionetas e dos objetos utilizados, o mundo, ou a ausência dele, que Backett criou para nós surge na insuportável angústia que o define, nessa permanente contradição entre o comunicável e o incomunicável, entre o jogo dos homens e o jogo dos bonecos.

O desenho de luz de António Real, a música de Roberto Neulichedl contribuem para dar a este espetáculo, ao mesmo tempo, o rigor e a beleza solitária que o marcam.

Indispensável ver, se possível.

Carlos Porto
in “Jornal de Letras”, 14 julho 1999


Transmutações de Samuel Beckett

Esta é a boa altura para se ver e se entranhar um espetáculo tão inspirado e inesperado como “Nada ou o Silêncio de Beckett”, que o Teatro de Marionetas do Porto estreou em junho na Casa das Artes.

Até dia 31, é obrigatório assistir às transmutações, transfigurações, variações, prolongamentos e desenvolvimentos que João Paulo Seara Cardoso recriou a partir do universo de Beckett e das marionetas construídas por Júlio Vanzeler.

Marionetas que contracenam com atores (Rui Oliveira, Sérgio Rolo e Marta Nunes) num “show” truculento e enigmático, onde, além de Willy e Winnie, o casal de “Dias Felizes” ou Didi e Gogo, os vagabundos que estão “À espera de Godot”, se intrometem outras criaturas menos famosas (e proventura menos beckettianas) mas igualmente possuídas pela fúria burlesca, quase sempre sacrílega, das mil e uma personagens com que Beckett continua a povoar a indiferença de Deus.

Manuel João Gomes
in “Público”, 20 julho 1999


Nada ou o Silêncio de Beckett

UK premiere

“A remarkable perfomance, inspired in sensations, silences and characters of Beckett, between the light humour and the absurd humour, between the malicious farce and the revolutionary dramaturgy of Beckett”

Presented as “a homage to the best playwright of the twentieth century”, Nada ou o Silêncio de Beckett is inspired and “contaminated” by the universe of Samuel Beckett. Teatro de Marionetas do Porto banish the limits between marionettes, manipulators and actors, to create a performance influenced by theatre, dance and clowning, from Charlie Chaplin at his darkest, to circus show comedians.

Powerful images mix pathos and humour, with just a few beautiful lines of Beckett for text. Visions is delighted to bring this Portuguese company to the UK for the first time and their performance can only be seen in Brighton. Teatro de Marionetas do Porto has performed sell out shows at European festivals and “Nada ou o Silêncio de Beckett” won two awards at the World Festival of Puppet Art, in Prague 2000.

in “Visions 2004”


Un merveilleux voyage dans l`univers de Samuel Beckett

JONQUIÈRE (yp) – “Nada ou o Silêncio de Beckett” plonge le spectateur dans l`univers de Samuel Beckett, dramaturge et romancier, qui a singulièrement illustré la tragédie humaine.

Bien sûr, se souvenir de l`existentialisme, de Jean-Paul Sartre et d`Albert Camus aide à mieux comprendre ce spectacle qui pourrait se traduire par < > chez Beckett. Très peu de texte et mon portugais se résume à bien peu de choses. Les jeunes étaient perdus au début, on peut le comprendre. Ils n`y comprenaient goutte mais quelle belle façon de s`ouvrir au monde, aux langues et aux cultures. Juste ce contact devient une découverte pour la plupart des jeunes.

Les trois comédiens du Teatro de Marionetas do Porto du Portugal s`attaquent à la tragédie humaine. La vie est absurde, n`a aucun sens ou but. Tout est recommencement et absurdité. La vie, les autres, la communication, l`amour, tout cela peut être futile. La vie et une simple agitation dans l`espace. Dieu a été enterré depuis longtemps. Monde dur, comme une question ou un mal lancinant, une douleur qu`il est impossible de guérir non plus.

Grande scène, table pour un banquet, minuscule scène avec comme toile de fond une clôture. Un monde nu qui prend tout son sens dans le questionnement. Ne cherchez pas la réponse !

Des marionnettes magnifiques, des comédiens manipulateurs, des mimes devrais-je dire, particulièrement expressifs et déguisés en Charlot nous appliquent une bonne dose d`absurde. Désir simple, résistance des objets, gestes qu`il faut toujours recommencer et reprendre. Le monde de Sisyphe ouvre le spectacle et le termine presque. Le grand cirque ! Contact quasi impossible entre les humains et aussi cette violence omniprésente et inévitable.

Des tableaux

Une beauté visuelle de tous les instants, des scènes découpées comme des tableaux et des marionnettes vivantes. Saisissant ! Souvent on a l`impression que c`est le pantin qui vit et non plus le manipulateur. Un manipulateur manipulé et vice-versa.

L`échange, une interaction singulièrement forte, nous plonge dans les grandes œuvres de Samuel Beckett. On y retrouve en filigrane “En attendant Godo”, “Oh les beaux jours”, “Fin de partie” et “La dernière bande” que l`on a pu voir il n`y a pas si longtemps à la salle Pierrette-Gaudreault avec un Gabriel Gascon savoureux.

Ironie, humour et des images fortes qu`une bande sonore particulièrement efficace appuie. Le tems qui file, le temps qui s`égrène et écrase l`être humain.

Des images et des situations quotidiennes, une relation avec un objet, une plante ou un autre humain qui se fait complice ou ennemi. Dérangeant et déstabilisant.

La seule incursion dans le monde de la parole devient un beau clin d`œil à “En attendant Godot”.

Une suit de cris qui se transforme en échos qui se confondent dans l`espace. Epoustouflant !

Cette impossibilité de communiquer, d`entrer en complicité avec un voisin ou l`autre devient ce cri qui déchire l`espace jusqu`aux confins de la galaxie. Un spectacle comme un condensé du monde de Samuel Beckett. Un délice malgré la gravité du propos.

Yvon Paré
in “Arts-Téle”, 12 setembro 2004


Uma maravilhosa viagem no universo de Samuel Beckett

“Nada ou o Silêncio de Beckett” mergulha o espectador no universo de S.Beckett, dramaturgo e romancista que singularmente ilustrou a tragédia humana.

É evidente que a lembrança do Existencialismo de Jean-Paul Sartre e de Albert Camus ajuda a melhor perceber este espetáculo que poder-se-ia traduzir por “Nada ou o Silêncio” em Beckett. Muito pouco texto e os meus conhecimentos de português resumem-se a muito pouca coisa. Os jovens estavam perdidos no início, o que é perfeitamente compreensível. Eles não perceberam patavina, mas isso é uma bela forma de se abrir ao mundo, às línguas e às culturas. Aí este primeiro contacto transformou-se numa descoberta para grande parte destes jovens.

Os três atores do Teatro de Marionetas do Porto de Portugal enfrentam a tragédia humana. A vida é absurda, sem sentido e objetivo. Tudo é recomeço e absurdo. A vida, os outros, a comunicação, o amor, tudo isto pode ser fútil. A vida é simples movimentação no espaço. Deus foi enterrado há muito tempo. Um mundo inflexível, como uma pergunta ou um mal lancinante, uma dor também ela impossível de curar.

Uma cena grande, uma mesa para um banquete, uma cena minúscula, tendo como pano de fundo uma clausura (uma vedação). Um mundo nu que ganha todo o sentido no questionamento. Não procurem a resposta!

Marionetas magníficas, atores manipuladores, mimos, assim o devo dizer, particularmente expressivos e disfarçados em Charlot oferecem-nos uma boa dose de absurdo. Desejo simples, resistência dos objetos, gestos que precisam de ser constantemente reiniciados e repetidos. O mundo de Sísifo abre o espetáculo e quase o termina. O grande circo. O contacto quase impossível entre os humanos e também esta violência omnipresente e inevitável.

Os Quadros

Uma beleza visual a cada instante, cenas recortadas como quadros e marionetas vivas. Surpreendente! Muitas vezes, fica a sensação de que é a marioneta que vive e não o seu manipulador. Um manipulador manipulado e vice-versa.

A troca, uma interação particularmente forte, mergulha-nos nas grandes obras de Samuel Beckett. Aí encontramos de uma forma subtil “En attendant Godot”; “Oh les beaux Jours”, “Fin de partie” e “La Dernière Bande” a cujos espetáculos assistimos há bem pouco tempo na sala Pierrette-Gaudreault com o maravilhoso Gabriel Gascon.

Ironia, humor e imagens fortes sustentadas por uma banda sonora muito eficaz.

O tempo que passa, o tempo que se desfaz e destrói o ser humano.

Imagens e situações do quotidiano, uma relação com um objeto, uma planta ou um outro ser humano que se torna cúmplice ou inimigo. Perturbador e destabilizador.

A única incursão no mundo da palavra apresenta-se como um belo piscar de olho à obra “En attendant Godot”. Uma sucessão de gritos transforma-se em ecos que se confundem no espaço. Impressionante! Esta impossibilidade de comunicar, de se aproximar do seu vizinho ou do outro transforma-se neste grito que rasga o espaço até aos confins da galáxia. Um espetáculo como um condensado do mundo de Samuel Beckett. Uma delícia apesar da gravidade do assunto.

Yvon Paré
in “Arts-Téle”, 12 setembro 2004


Beckett no Festival de Marionetas do Porto

Elogio do absurdo

“Nada ou o Silêncio de Beckett”, encenado e coreografado por João Paulo Seara Cardoso para o Teatro de Marionetas do Porto, chegou ao público através do IX Festival Internacional de Marionetas do Porto. Subiu ao palco do Balleteatro Auditório no passado sábado, dia 9. Chamam-lhe teatro de marionetas mas, a espaços, também podia tratar-se de um espetáculo de dança contemporânea, de um filme particularmente negro de Charlie Chaplin ou até de um divertido número de circo.

Ao espírito inventivo, “Nada ou o silêncio de Beckett” junta uma diversidade de ferramentas arregimentadas em outros territórios artísticos. Obedecendo a uma lógica narrativa de pequenos quadros correspondentes a alguns rumos figurativos que se desenvolvem alternadamente, este é um objeto que se presta, sobretudo, ao usufruto das suas pequenas pérolas visuais.

Nestas paragens as palavras escasseiam, não são mais do que alguns desoladoramente belos versos de Samuel Beckett à beira do vazio, ou seja, do nada e do silêncio do título. Os corpos do trio de atores – Rui Oliveira, Sérgio Rolo e Marta Nunes – são tão importantes e expressivos como os bonecos por eles manipulados. Todos eles, humanos e marionetas, agem de acordo com o mais estrito cumprimento das leis do absurdo.

“Nada ou o silêncio de Beckett” é, principalmente, uma sublimação do entrelaçar dos movimentos físicos até à irrisão. Num dos quadros, três figuras masculinas idênticas, presas em camisas de força, encetam uma dança ao som de um tecno cuja brutalidade vai contaminando os seus gestos até ao limiar da violência branca. A mesma violência que, perto do final, volta a assaltar os movimentos de outras três personagens macabras e estropiadas.
Os humanos são criaturas idiossincráticas, as suas personalidades sitiadas e expostas sem defesas aos mecanismos dos sistemas, quaisquer sistemas, como espantalhos perante os rigores das tempestades. Abundam os sinais sonoros de obediência, do tiquetaque do relógio ao apito. Quando a mesa por onde passearam as marionetas revela uma série de buracos através dos quais vão surgindo as cabeças dos humanos e dos bonecos, elementos que acabam por ser substituídos por mãos e pés descalços, é da ilusão da identidade manipulada e desmembrada até à loucura que se trata. Depois disto e depois da chuva, um velho muito parecido com Beckett passeia pela mesa de bicicleta. Para, o manipulador toca à campainha no topo do seu chapéu de coco, e as luzes apagam-se.

Jorge Manuel Lopes
in “Net Parque”, dezembro 2000


Beckett in the Puppet Festival of Porto

Praise of the absurd

“Nada ou o silêncio de Beckett” (Nothingness or the silence of Beckett), staged and choreographed by João Paulo Seara Cardoso for Teatro de Marionetas do Porto, reached the public in the IX International Puppet Festival of Porto. It was presented in Balleteatro Auditório last Saturday the 9th. It is called puppet theatre but it could also be considered a contemporary dance performance, a particularly dark Charlie Chaplin film or even a funny circus show.

“Nada ou o silêncio de Beckett” links the inventive spirit with a diversity of tools from other artistic territories. Following a narrative logic of short scenes, matching some figurative paths which develop alternately, this play is fit, above all, for the enjoyment of its small visual treasures.

Here the words are scarce, no more than a few desolately beautiful lines of Samuel Beckett on the edge of emptiness, of nothingness and silence, as in the title. The bodies of the three actors – Rui Oliveira, Sérgio Rolo and Marta Nunes – are as important and expressive as the marionettes they manipulate. Everyone, humans and marionettes, behaves in the most strict observance of the laws of the absurd.

“Nada ou o silêncio de Beckett” is mainly a sublimation of the interweaving of physical movements until derision. In a scene, three identical male figures, restrained in straitjackets, start dancing at the sound of techno music, whose brutality contaminates their movements until the threshold of white violence. The same violence that, near the end, takes over the movements of other three macabre and crippled characters.

Humans are idiosyncratic beings with besieged and exposed personalities, helpless against the mechanisms of the systems, any systems, like scarecrows facing the hardships of storms. The sound signs of obedience are abundant, from the ticktock of the clock to the whistle. When the table on which the marionettes walked discloses a series of holes through which the heads of the humans and the marionettes appear, later replaced by bare hands and feet, we are dealing with the illusion of the manipulated and dismembered identity, until madness. After this and after the rain, an old man resembling Beckett strolls about the table riding a bike. He stops, the puppeteer rings the bell on top of his bowler, and the lights go off.

Jorge Manuel Lopes
in “Net Parque”, Dezembro 2000


Elogio ao silêncio

Espetáculo notável, inspirado em sensações, silêncios e personagens de Beckett

Apresentado como “uma modesta homenagem ao mais genial escritor de teatro deste século”, por João Paulo Seara Cardoso, Nada ou o Silêncio de Beckett é um espetáculo notável. Considerado “um escritor que expõe a obscuridade para que o mundo lá fora e cá dentro se torne mais luminoso”, Samuel Beckett faz uma representação fantástica do mundo. Adaptar o universo do genial escritor irlandês ao mundo das marionetas foi um desafio que o Teatro Marionetas do Porto se propôs enfrentar. Nasceu, assim, um espetáculo criado a partir de impressões do mundo mordaz mas iluminado de Beckett, o dramaturgo do absurdo por excelência. Todos os intervenientes mergulharam no mundo do escritor através da leitura das suas obras e da experiência resultou uma forte “contaminação” de criadores e atores com as paisagens e personagens do escritor, que impulsionaram a criação deste trabalho. Estreado na Casa das Artes, em junho de 1999, o especáculo surge “como que um sonho difuso e amarelado” no qual os actores vaguearam com as “Winnies, os Didis e Gogos e toda a galeria de homens e mulheres impregnados de um estranho silêncio vazio, sempre tocando ao de leve na obscuridade”, para sentirem, afinal, a possibilidade de um mundo mais luminoso. O simbolismo habita, de resto, todos os lugares que a peça percorre. O silêncio, o nada, a alienação, o mistério da identidade e outros temas comuns do universo de Beckett são evocados por imagens, permitindo a cada espectador estabelecer uma relação particular com o que observa. Um dos mais aclamados espetáculos produzidos pelo Teatro de Marionetas do Porto, Nada ou o Silêncio de Beckett ganhou dois importantes prémios no World Festival of Puppet Art em Praga 2000.

Susana Silva Oliveira
in “Visao”, 29 março 2001


Praise to Silence

Remarkable performance, inspired in sensations, silences and characters of Beckett
Presented as “a modest homage to the best playwright of this century”, by João Paulo Seara Cardoso, Nada ou o Silêncio de Beckett is a remarkable performance. Considered “a writer who exposes obscurity so that the world outside and inside becomes brighter”, Samuel Beckett makes a fantastic representation of the world. Adapting the universe of the brilliant Irish writer to the world of the marionettes was a challenge that Teatro de Marionetas do Porto proposed to tackle. A performance was thus created from impressions of the mordacious but illuminated world of Beckett, the ultimate playwright of the absurd. Everyone involved has plunged in the writer’s world by reading his plays and this experience originated a strong “contamination” of creators and actors with the landscapes and characters of the writer, that impelled the creation of this play. The première, in June 1999, was in Casa das Artes. The performance “looks like a yellowish diffuse dream” in which the actors wandered with the “Winnies, Didis and Gogos and all the gallery of men and woman impregnated with a strange empty silence, always touching slightly in the obscurity”, to feel, after all, the possibility of a more illuminated world. In fact, symbolism inhabits all the places that the play calls up. Silence, nothingness, alienation, the mystery of identity and other themes frequent in Beckett’s universe are evoked, allowing each spectator to establish a particular relation with what he observes. One of the most acclaimed performances produced by Teatro de Marionetas do Porto, Nada ou o Silêncio de Beckett won two important awards at the World Festival of Puppet Art in Prague , 2000.

Susana Silva Oliveira
in “Visao”, 29 março 2001


Marionetas do Porto arrecadam prémios mais importantes do World Festival de Praga

O Teatro de Marionetas do Porto (TMP) ganhou os prémios para a melhor companhia e para o melhor encenador no World Festival de Praga, na República Checa, com a peça “Nada ou o Silêncio de Beckett”.

A edição deste ano do World Festival de Praga, que leva a concurso o teatro de marionetas, premiou o TMP com o galardão de Melhor Companhia e João Seara Cardoso com o prémio de Melhor Encenador.

João Seara Cardoso disse ao ÚLTIMA HORA que estes prémios representam “por um lado um estímulo e por outro lado o reconhecimento do nosso trabalho” referindo ainda que “neste momento o Teatro de Marionetas do Porto goza de uma grande projeção internacional”.

A companhia portuense arrecadou estes troféus num festival que tinha 30 espetáculos em competição.

O World Festival de Praga, que já vai na sua décima edição, e que habitualmente leva a concurso apenas companhias do Leste europeu, assumiu este ano uma dimensão mundial, já que Praga é uma das Capitais Europeias da Cultura de 2000.

O TMP tem neste momento em cena, no teatro Rivoli, “Os Três Porquinhos”, espetáculo que estreou a 15 deste mês e segue em julho para Hannover, para participar no “Theater Forman”, o festival oficial da Expo 2000.

Luís Chaves
in “Público”, 20 junho 2000


Sie hauchen den Figuren leben ein:Die Puppenspieler des „Teatro de Marionetas do Porto“ beherrschen ihre Kunst perfekt. Nicht immer hielten sie sich so im Hintergrund.

Puppen reisen in das Universum von Beckett
Auftackt in vollkommener Dunkelheit

Figuren warden lebendig, geradezu menschlich , Menschen bekommen puppenhafte Züge: Das „Teatro de Marionetas do Porto“ lässt die Grenzen zwischen Puppen, Puppenspielern und Schauspielern verschwimmen. Am Samstag war die portugiesische Gruppe im Prinz Regent Theater.

Am vorletzten Tage der „Findena“ drängten sich weit mehr Interessierte nach Eintrittskarten für“Nichts oder Becketts Schweigen“, als das kleine Theater auf dem ehemaligen Zechengelände fassen konnte. Wer eines der begehrten Tickets erhaschte, tauchte für gut eine Stunde in Samuel Becketts Universum ein, wie es die Portugiesen auf faszinierende Weise collagiert haben. Den Auftackt macht vollkommene Dunkelheit; Klavierspiel setzt ein und der Blick des Publikums fokussiert sich auf eine Bühne, die wie ein Laufsteg angelegt ist. Darunter ist sie hohl, was immer wieder überraschende Auftritte ermöglicht. Von vier geschickten Händen geführt, tritt die erste weissköpfige Puppe ihren Weg über die Bühne an, gebeugt unter der Last einer ledernen Truhe. Die Szene ist so authentisch, dass man meint, die Puppe ächzen zu hören, obwohl kein Wort fällt.

Ohnehin kommt die Inszenierung mit wenigen Sätzen aus. Dichte, teilweise humorvolle Bilder und immer wiederkehrende Motive – wie sie Charakteristikum Becketts sind – machen Worte überflüssig. Als Höhepunkt darf wohl eine Szene gelten, die Assoziationen an „Warten auf Godot“ weckt: eine Figur, mit grauem Sakko und schwarzer Melone genauso gekleidet wie ihre Puppenspieler, gehorcht im Schatten eines knorrigen Bäumchens den Trillerpfeifekommandos aus dem Dunkel. Ihr Ziel erreicht sie nie.

in “Ruhmachrichten”, 26 März 2003


Eles insuflam vida às marionetas: os atores do teatro de marionetas do Porto dominam a sua arte na perfeição. Nem sempre foram invisíveis.

As marionetas viajam pelo universo de Beckett
Apresentação na total escuridão

As figuras tornam-se vivas, quase humanas. Os homens adquirem traços de marionetas. O Teatro de Marionetas do Porto deixa desaparecer os limites entre bonecos, titereiros e atores. No sábado, o grupo atuou no Teatro Prinz Regent.

No penúltimo dia do “Fidena” havia mais pessoas interessadas em ver “Nada ou o Silêncio de Beckett” do que as que cabiam no pequeno teatro localizado no terreno da antiga mina. Quem conseguiu bilhetes pôde mergulhar a fundo, durante uma hora, no universo de Beckett, composto de maneira tão fascinante pelos portugueses. De início a escuridão é total, depois o piano começa a tocar e o olhar do público centraliza-se num palco de desfile de moda. O palco é oco, o que possibilita sempre apresentações surpreendentes. Guiado por quatro mãos versáteis, um boneco de cabeça branca começa a sua caminhada sobre o palco, carregando o peso de um baú de couro. A cena é tão verosímil que se tem a impressão de escutar o boneco gemer apesar de nenhuma palavra ser emitida.

Contudo a apresentação não precisa de muitas frases. Imagens densas e, por vezes, cheias de humor, e motivos recorrentes tornam supérfluas as palavras. Como ponto culminante podemos destacar uma cena cheia de alusões a “À Espera de Godot”. Uma figura de fato cinzento e chapéu preto, vestida do mesmo modo que os titereiros, obedece ao comando de um assobio emitido na escuridão por trás de uma arvorezinha. Nunca chega a alcançar o seu objetivo.

in “Ruhmachrichten”, 26 março 2003


Becketts Schweigen

Das wird spätestens klar, wenn sie am nächsten Tag mit „Nichts oder das Schweigen Becketts“ im kleinen prinz regentheater ihre Sîcht von Becketts Welt vermitteln. Und die ist vor allem heiter. Wir sehen Winnie und Willie oder Didi und Gogo, diese Figuren, die alle eine Beschädigung haben, die sinnlos vorwärts eilen und „höheren Mächten“ ausgeliefert sind. Das sind in diesem Fall die Puppenspieler, die aktiv ins Geschehen eingreifen, den Mann mit Steinen und Bäumen traktieren, aber auch mal selbst zu Fall gebracht werden. Die Männer in Anzug und Melone kämpfen mit dem Koffer oder Dingen, die ihnen unvermittelt vor die Nase gesetzt und genauso unbegreifbar wieder entzogen werden. Dass die Figuren, die an Stäben geführt werden, sich dabei jedem physikalischem Gesetz entziehen können, bringt sie Beckett nur noch näher.

Ronny von Wangenheim
in “Ruhmachrichten”, 26 março 2003


O silêncio de Beckett

Ficou claro, mais tarde, com a apresentação de “Nada ou o Silêncio de Beckett” no dia seguinte, no pequeno teatro de Prinzregent, a segurança do grupo na abordagem do mundo de Beckett. E isso notou-se em todos. Nós vemos Willie e Winnie ou Didi e Gogo, personagens com “avarias”, que, numa fuga para a frente, correm sem sentido ficando à mercê da “autoridade máxima”. Neste caso são os manipuladores de marionetas os intervenientes ativos, que recebem o homem com paus e pedras mas que também caem. Os homens de sobretudo e chapéu de coco lutam com as malas ou com as coisas que lhes saem do nariz e de repente, incompreensivelmente, desaparecem. O facto de as figuras que foram corridas à paulada aparecerem recompostas aproxima-nos ainda mais de Beckett.

Ronny von Wangenheim
in “Ruhmachrichten”, 26 março 2003

Share this Project

Marionetas do PortoNADA OU O SILÊNCIO DE BECKETT