MÁQUINA-HOMEM / CLONE-FIGHTERS

O projeto Máquina-Homem (Clone-Fighters) é um carro cénico/”máquina de peregrinar” que integrou o Evento Regular Diurno denominado como Peregrinação, na EXPO 98.

À beira do milénio, põe-se a questão dos limites do humano, da possibilidade da sua autonomia, não apenas face “às máquinas” (no sentido clássico da ficção científica que prediz a subjugação dos homens aos computadores), mas também face à grande Máquina da organização humana no e do mundo. O duplo fantasma é o da máquina humanizada perante o homem robotizado e o pavor de um dia os não saber distinguir.

Frente a frente, como num espelho, duas marionetas gigantes encenam o combate do homem com a sua imagem, essas imagem aterradora de ser massificado, clonado, irreconhecível na sua identidade. Estes dois homens vestem irrepreensível fato e gravata de executivo, como representantes do mundo que se julga liderarem.

De cada lado, três atores manipulam as marionetas, vestidos segundo o modelo dos lutadores dos jogos eletrónicos de vídeo (“clone fighters”), dos quais reproduzem os movimentos artificiais. A desumanidade está presente no plástico das couraças, na frieza do olhar, na agressividade dos movimentos.

Estão concentrados na sua tarefa e não se apercebem sequer de estar a ser puxados, de tal modo que em nada contribuem para a sua própria progressão e de forma nenhuma a poderiam impedir. A Máquina torna-se, então, símbolo de um movimento involuntário e inelutável: a humanidade com galho na torrente das cheias.

  • Maquina-Homem Clone-Fighters
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conceção e encenação
João Paulo Seara Cardoso

marionetas e figurinos
Júlio Vanzeler

música
Carlos Guedes

intérpretes
Igor Gandra (coordenação), Rui Oliveira (coordenação), Amândio Pinheiro, Carlos António, Diogo Pinto, Ivo Alexandre, Martinho Silva, Nuno Meireles, Paulo Moura Lopes, Sérgio Rolo

desenho de som
Jorge Barreira

construção da estrutura
BTL – Indústrias Metalúrgicas

construção de marionetas
Oficinas do Teatro de Belomonte

apoio técnico
Gilberto Travassos

Equipa técnica de construção de marionetas

projeto técnico
João Paulo Seara Cardoso

escultura
Júlio Vanzeler

técnico de moldes
Abílio Silva

técnico estrutura alumínio
Agostinho Silva

técnico polyester
Sérgio Rolo

técnicos de montagem
Igor Gandra, Rui Oliveira

pintura
Emília Sousa

confeção de figurinos
Equipa “Peregrinação”

apoios
Salvador Caetano, BOSE – António Barbosa e Castro, Lda; BTL – Indústrias Metalúrgicas

Peregrinação melancólica


Mas são a ciência e a tecnologia que inspiram o momento mais alto deste desfile e o único verdadeiramente teatral: a “Máquina-Homem”, com dois Frankensteins – o homem e o seu duplo, aliás o seu clone – mirando-se no espelho um do outro. São gigantescos bonecos articulados, suspensos em molduras de alumínio e manipulados por atores vestidos de preto. Uma amostra temível do génio que preside ao Teatro de Marionetas do Porto.

Manuel João Gomes
in “Público”, 26 de maio 1998


O alegre desfile das máquinas infernais


O homem e a sua imagem vestem irrepreensível fato e gravata de executivo, como verdadeiros “representantes do mundo que julgam liderar”. Ambos são manipulados por três atores que reproduzem movimentos artificiais e que aparecem trajados como os lutadores dos jogos elctrónicos. Seara Cardoso chama-lhes “clone fighters”.

São estes clones de lutadores “as figuras principais da máquina. A vida está neles e não nas personagens desumanas que manipulam. A nossa intervenção não é uma mera escultura móvel: tem vida”. Embora a vida possa ser simplesmente a “factual” e “alienante promiscuidade” entre “máquinas humanizadas e homens robotizados”, conclui o encenador.

Paulo Barriga
in “Revista EXPO98”, novembro de 1997

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