A COR DO CÉU

Qual é a cor do céu?
Azul quando está um dia azul,
cinzento quando o dia está cinzentão,
rosa, às vezes, em manhãs de verão,
laranja quando o dia está vai não vai,
negro, logo, logo, quando a noite cai.

(às vezes, a noite vem devagarinho
para não incomodar o dia)
-Boa noite, noite- diz às vezes o dia.

  • A cor do Céu
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A Cor do Céu
Encenação, texto e cenografia
João Paulo Seara Cardoso

Desenhos de marionetas e ilustração
Júlio Vanzeler

Música
Jacques-Yves Montand

Figurinos atores
Maria Alice

Desenho de luz
António Real e Rui Pedro Rodrigues

Produção
Sofia Carvalho

Execução musical
Shirley Resende

Interpretação
Edgard Fernandes, Sara Henriques

Pintura de marionetas e adereços
Emília Sousa

Operação de som
Sérgio Rolo

Operação de luz
Rui Pedro Rodrigues

Assistente de produção
Paula Dias

Construção de estruturas
Américo Castanheira, Tudo-Faço

Execução de marionetas e adereços (TMP)
Vítor Silva, Pedro Pereira

Execução de marionetas e adereços (equipa externa)
Cláudia Ribeiro (coordenação), Isabel Pereira, Catarina Barros, Lícia Cunha (aderecistas), Hugo Loureiro (assistente de compras)

Fotografia de cena
Paulo Barata

coprodução
Centro Cultural de Belém, Casa das Artes de Famalicão, Transforma

Apoio
balleteatro auditório

Apoio à divulgação
JN, Público

Palco
10m – boca de cena / 10m – profundidade / 5m – altura min.
Chão – negro, madeira ou linóleo

Luz
Dimmers digitais – 52 circuitos – Prot. Com. DMX512
Mesa de luz ETC Express 24/48 ( Mat. da companhia )
Varas de luz ( ver planta em anexo )
Filtros ( ver legenda em anexo)

Projetores
23 PC 1KW c/ palas e porta filtros
17 Proj. Recorte 1Kw 12/42 c/ porta filtro
1 Proj. Recorte Selecon Pacific
1 Follow spot
9 Proj. Par 64 CP60 c/ porta filtros
1 Gobo ( Mat. da companhia )

Som
3 monitores colocados no palco
1 Leitor de CD c/ auto cue
1 Mesa de mistura c/ min. 12 vias
1 Processador de efeitos (rev.)
1 Microfone lapela
1 CPU ( Mat. da companhia )

Bastidores
3 Camarins individuais ou 1 coletivo

Montagem
12 horas

Staff necessário
Técnico de luz
Técnico de som
Técnico de palco

Notas: Para iniciar a montagem o palco deve estar limpo assim como as varas de luz.
No espetáculo é utilizado fumo em pó e bolas de sabão.

Duração do espetáculo: 50 minutos

Classificação etária: maiores de 4 anos

Menções obrigatórias em todo o material promocional do espetáculo:
Estrutura financiada por SEC/DGArtes (com inserção de logótipos)

Infância revisitada na peça “A Cor do Céu” pelo Teatro de Marionetas

São as perguntas e as dúvidas da infância o motor da nova peça do Teatro de Marionetas do Porto. “A Cor do Céu” , que estreia hoje no Balleteatro Auditório (em Arca D`Água), faz um percurso pelo imaginário infantil através de duas bizarras personagens que vivem num mundo onírico e surreal. A peça é escrita e encenada por João Paulo Seara Cardoso.

Uma casa, um jardim com um estendal de roupa, vasos com flores e um cão robot numa pequena casota fazem o cenário da nova peça direcionada às crianças, do Teatro de Marionetas do Porto. Em conversa com o COMÉRCIO , o encenador e diretor da companhia João Paulo Seara Cardoso explicou que se baseou nas suas próprias recordações de infância para escrever “A Cor do Céu”.

Pensando acerca do cenário que idealizou, o encenador admite que as suas memórias estão todas lá. “A relva e o estendal eram coisas que faziam parte da minha casa, quando eu era miúdo”. Além do mais, Seara Cardoso também incluiu na peça algumas das questões e comentários das suas filhas. “Quando as minhas filhas estavam a crescer, eu apontava o que elas diziam, as suas dúvidas”, explica.

A estes elementos, o encenador juntou-lhe mais uns toques pessoais. Recuperou alguns dos contos escritos para a infância que prefere. “Os meus livros favoritos dentro desse género são “O Principezinho”, de Saint-Exupéry, “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol e Winnie the Pooh – versão pré-Disney -, de A. A. Milne. Na peça são apresentados alguns momentos que remetem para a primeira e segunda histórias. Conta-se o episódio da serpente de “O Principezinho” e faz-se uma paródia à personagem Humpty-Dumpty, o famoso ovo falante de Lewis Carrol. Com esta personagem, pude explorar a questão do espaço e do tempo, que é sempre muito importante para uma criança. “Quando eu estava a crescer, custou-me muito perceber o que era o tempo, como é que corria, o que era um mês e um ano, o passado e o futuro”, esclarece João Paulo Seara Cardoso. Outra das histórias favoritas do encenador é “Hansel & Gretel”, o famoso conto da casa de chocolate, que também é aqui contada.

A peça foi escrita na sua maioria em rima. Esta opção, explica o encenador, prende-se com o facto de querer que as personagens se afastassem da linguagem do quotidiano. Como a poesia é o espaço de liberdade literária por excelência, pareceu ser esta a melhor opção para o autor explorar melhor o universo surreal da infância. De resto, admite, a estética do surrealismo é constantemente explorada no seu trabalho.

Curiosamente, a peça, apesar de ter manipulação de objetos, aposta muito mais no trabalho do corpo dos atores, Edgard Fernandes e Sara Henriques. De referir, também um dos elementos mais interessantes da peça – o magnífico cão robot, o Bobby, que se passeia pelo jardim abanando o rabo.

Luísa Marinho
in “O Comércio do Porto”, 2 outubro 2004


Porquê ficar em casa?

Numa manhã, ao acordar, começam a surgir as questões. São as dúvidas das crianças que são abordadas de uma forma poética. Ao longo do dia, como ao longo da infância, elas persistem. E as respostas continuam a surgir de uma forma encantatória. Não se trata de mais um conto de fadas mas de uma dramaturgia quase pedagógica. O imaginário das crianças está como que refletido na peça do Teatro de Marionetas do Porto, pensada para pequenos e graúdos. “A perceção e os medos que as crianças têm do mundo, que são quase universais, estão registados no texto”, esclareceu o encenador, João Paulo Seara Cardoso. “Amanhã é hoje?”, “Os números nunca acabam?”, “O que são as estrelas?” perguntam e a resposta chega.

Uma casa e um jardim servem de cenário aos intervenientes, responsáveis pelos esclarecimentos. Estes são de carne e osso, mas também marionetas, que, durante a realização das tarefas quotidianas, divagam pelo mundo dos “porquês”. Um colorido imagético que promete não deixar ninguém desatento. O bicho-papão, o hipopótamo voador, a minhoca viúva e a borboleta à toa juntam-se a esta festa. O espetáculo abraça ainda a música que interliga todos os outros elementos de uma forma mágica. E eis que “a noite vem devagarinho para não incomodar o dia”.

Jennifer Mota
in “Público”, 2 outubro 2004


Segredos do dia e da noite

“A Cor do Céu”, é um espetáculo dedicado por excelência a crianças muito novas – maiores de quatro anos -, mas também aos seus pais e a todos aqueles que se interessam por educação e comunicação na infância. Assim, a sugestão deste espetáculo – que o Teatro de Marionetas do Porto leva agora à cena – é dirigida a quem estiver interessado em levar os seus mais novos de visita ao já bem distante mundo das lengalengas, das rimas cujo som apetece cantar, dos pequenos-grandes mistérios que todos fomos desvendando nos primeiros anos das nossas vidas.

Dirigido e encenado por João Paulo Seara Cardoso, “A Cor do Céu” não pretende ter princípio ou fim. Mostra antes – com recurso a textos, música, imagens e iluminação – o estado de graça que a infância deveria sempre ser, por muito que os porquês não tenham resposta imediata ou que os terrores induzidos pela proximidade da razão se apresentem como verdadeiros e afinal únicos “papões”.

E há também o hipopótamo-balão que só uma menina vê, e a alegre minhoca viúva, e o senhor pequenino que queria ser grande e para isso construiu umas andas…

“A Cor do Céu” é um mundo completo de imaginação, dedicado a um público que gosta especialmente disso. Os desenhos e as ilustrações de Júlio Vanzeller e a música de Jacques-Yves Montand amparam as belas ideias que o Teatro de Marionetas do Porto dá a ver – à semelhança do que sempre fez questão de mostrar junto dos seus muitos públicos. Desde a sua criação.

António Eça de Queiroz
in “Expresso”, 9 de outubro 2004

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